segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O sexo

A pele arde
O peito pulsa
A alma padece
O que te faz mulher ?

É o que queima dentro?
Ou o que gela fora?
Quando teus olhos se reviram
E tuas pernas se contorcem

O teu sentido tátil
Que desacelera as horas.
Inebria, arrepia e paralisa
Energiza e regojiza a vida fora.

Ou será teu leito?
Revestido por pele
Glúteos, cicatrizes, seios.
Pensas nele ?

Viril,
Fértil.
Fulgás.
É este teu homem ?

Quando colhe o sumo
De tuas frutíferas árvores
Ou quando se farta
De tuas voluptuosas águas

Dar-te de ti com abundância
Semeia em teu colo seus desejos
Oferece- lhe o teu mundo
Colide com o dele

Orbitem no mesmo espaço
Desafiem a física
Sintam a gravidade
Pairem no ar.

Dancem
O encontro dos corpos
Músculos contraídos
O Bater de ossos

Faísca atemporal
Ascendente do fogo
Vivo em tempestade
Habitante de dois corpos

Tu és mulher
Ele homem.
Fêmea
Macho.

Ancestrais
Se reencontram
Num passado de vidas
Geração a geração.

Seja carne.
Espírito.
Enriqueça a tua fé.
Profane.

Liberte-se
Resignifique
Entregue-se
Sinta

Na vida humana
Incógnita
Efêmera
O que há de mais sagrado.

O sexo.
Amor de alma

Súbito, inimaginável e arrebatador
Despretensioso encontro trouxe o inesperado
O amor que bateu a porta
Sem ao menos ser chamado

A colisão de dois corpos do passado
Transcendendo a origem e a existência
O encontro de almas
A história escrita em vida plena

O afeto e a entrega
A paixão que se revela
No ato do beijo

Se encontram os seres
Se amam as almas
Encontram enfim, amor verdadeiro.

sábado, 16 de setembro de 2017



O que eu vivi, foi solidão

Os que sentem saudade dos anos passados
Que de nada tiveram se não a opressão
Justificada por pequenos momentos de glória
São a resposta do fracasso da atual geração

Não há  certeza perene, nem cor
Nada pode ser comparado ao que se viu
O que se lê nos livros não é metade da dor
Dos corpos dizimados por homens vis

A terra é quente em solo europeu
e faz calor de 40 infernos em climas invernais
Não se sabe nada do que se sucedeu
Pois também vieram abaixo com o fogo todos os jornais

Não é cortesia, nem há condecorações honrosas
Somente corpos espalhados, enfileirados, sem vida ou história gloriosa.
A pele arde com o gás inalado e as crianças sofrem.
Os músculos se contraem e com os espancamentos diários se dissolvem

Os gritos de socorro são a trilha sonora
sobre as noites em campos de concentração
Das aeronaves bombardeando  aldeias,
O que se fez na história não é como sente o presente.

Porém dos mortos trago uma certeza:
O que eu vivi, foi solidão.






    Existência.


    A vida é vivida apenas uma vez?
    Há os que dizem  sim e outros não
    Mas eu prefiro o talvez.

    É que nós morremos a cada segundo
    Envelhecer é o verbo onde a morte vive
    Então será que não renascemos no mundo
    A cada instante em que a vida existe?

    E o que é a vida afinal?
    Não conheço alguém que saiba
    Muitos dizem conhecê-la,decifrando-a em simples filosofias
    Mas estou certo de que ninguém saiba, é só ilusão, utopia.

   É que é coisa humana querer resposta pra tudo
   Estamos sempre questionando,aprendendo, evoluindo
   Pois queremos sempre ser o centro do mundo.
   Então, é difícil admitir o não saber,que nos torna pequeninos.

   Acho que nunca ninguém encontrará um sentido na existência
   E me pergunto:  - Será mesmo assim tão vital?
   Afinal, em essência, o que é existir?
   Talvez seja exatamente o simples não saber o que há por vir no final.
 

    

quinta-feira, 7 de julho de 2016


 A Retirada


Quando o sol se punha a oeste
Já se sabia no encalço do tempo
que o vento  traria ligeiro


a mesma e velha solidão de outrora
sufocando o ser que há dentro


A retirada das aves
coincidia com mais um inverno
O imenso e obscuro céu


alentava as dores e o desassossego
que persistiam ao homem, incrédulo


Sabia-se muito
sobre o pouco que tinha
Faltava-se muito do que queria viver


Horas de alegria,amenidades,euforia,
paixão, afeto,
ter e ser


Foram-se horas, foram se dias
foram-se vidas
sem saber

quantas eram,quem era
o que seria?


O que seria de mim sem você?


Intrometeu-se o acaso
e de minha vida fez sua casa.
Assim como eu e tu fizemos,


das palavras que ganharam vida
das vidas que viraram palavras.


E nesse compasso de rimas e sentimentos
é que dançamos as melhores valsas
Deu-me tua mão e disse

Conduz-me como só tu sabes
Que eu amo-te com toda minh'alma.


Os rodopios são a construção do alicerce
dessa vida inesperada
não há o que temer


A Terra também gira sempre
E a lua fica a admirá-la



Quando olho-te nos olhos
é que entendo o Universo
Não somos nada além de nós mesmos:

Entretanto somos um mundo inteiro
Somos o Mundo que há dentro:

E dentro de mim, existe você.
E dentro de você existe um eu.
Por isso tão forte é o nosso laço.

Somos dois mundos coexistindo
Orbitando no mesmo espaço.















sábado, 23 de abril de 2016

Em dias como este


Tudo que é belo passa
Mesmo que a forma se mantenha inacabada
É que a beleza não está por fora
Mas sim nos olhos de quem nota
E tudo um um dia se desgasta
Afasta-se, perde-se o interesse.

Em dias como estes.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Não o seria 

Se pudesse não ser eu
Não o seria
Por mais que me doa ser
Não há razão em ser o que eu não poderia.

Nunca serei o que quero
Mas quero ser o que posso
E não pretendo nunca ser diferente do que deveria ser
Apenas serei o melhor que conseguir

Olho a minha volta e não vejo razão
Por que não ser o que penso?
Estão todos vazios,subvertidos,ilusão


Há uma perda em não ser o que se pode
Mas há uma morte em não ser o que se é

Quero ser mais do que tenho sido
Mas o que tenho sido é tudo o que eu sou

Talvez seja melhor aceitar isso
E ser apenas o que eu puder
Mas ser é tão difícil
Seja você o que quiser

O que importa é que tenho vivido
E isso tem me transformado no que eu serei ao mesmo tempo em que sou.

Mas de todas as coisas que desejo ser, uma tem valor infinito:
É estar frente a mim.mesmo, me olhar nos olhos e ser,
sem nunca me arrepender de ter sido.










terça-feira, 4 de agosto de 2015

Mãos




Mas eu não abro mão
é do arroz com feijão
Da batata no prato
Do abraço apertado
o aperto de mãos.

E o que eu gosto ´
é de olhos nos olhos
Sorriso aberto
Amor descoberto
poder estar perto.

E o bem mais precioso
é a sinceridade
ser refém da bondade
e sem nenhuma vaidade
oferecê-la a quem não tem.

Nunca achar que tenho pouco
e mesmo que me taxem de louco
Ser aquilo que eu sempre quis.
No fundo, tudo é passageiro,
e o que importa mesmo
é poder ser feliz.

domingo, 26 de julho de 2015


Amo-te



Te amo
tanto
que é melhor não dizê-lo

Calo
quase sempre
que tenho medo

De sentir,
que amo-te
tanto, e guardo apenas em mim

Arde
tão profundamente
que a dor é solene e gentil

Aquece-me
e  liberta
que não deixa-me dúvida

Amo-te
quero-te
tanto.